Cadernos de Música

A idéia principal do "Cadernos de Música", é a de um blog onde se pode ouvir a música e cantar acompanhando a letra. Aqui, colocarei tudo o que sempre gostei de ouvir e cantar da MPB e Música Latina


Fagner/Dedé Evangelista

Céu de vidro azul fumaça
Quatro Graus de latitude
Rua estreita, praia e praça
Minha arena e ataúde

Não permita Deus que eu morra

Sem sair desse lugar
Sem que um dia eu vá embora
Pra depois poder voltar

Quero um dia ter saudade

Desse canto que eu cantei
E chorar se der vontade
De voltar prá quem deixei
De voltar prá quem deixei.  


Para Mario Marins

Zé Ramalho

Um velho cruza a soleira

De botas longas, de barbas longas, 

de ouro o brilho do seu colar
Na laje fria onde coarava sua camisa 

e seu alforje de caçador
Oh meu velho e invisível Avôhai
Oh meu velho e indivisível Avôhai
Neblina turva e brilhante em meu cérebro, 

coágulos de sol
Amanita matutina e que 

transparente cortina ao meu redor
Se eu disser que é meio sabido 

você diz que é meio pior
É pior do que planeta quando perde o girassol
É o terço de brilhante nos dedos de minha avó
E nunca mais eu tive medo da porteira
Nem também da companheira 

que nunca dormia só, 
Avôhai

O brejo cruza a poeira

De fato existe um tom mais leve 

na palidez desse pessoal
Pares de olhos tão profundos 

que amargam as pessoas que fitar
Mas que bebem sua vida sua alma 

na altura que mandar
São os olhos, são as asas, cabelos de Avôhai
Na pedra de turmalina 

e no terreiro da usina eu me criei
Voava de madrugada 

e na cratera condenada eu me calei
Se eu calei foi de tristeza, 

você cala por calar
E calado vai ficando 

só fala quando eu mandar
Rebuscando a consciência 

com medo de viajar
Até o meio da cabeça do cometa
Girando a carrapeta no jogo de improvisar
Entrecortando eu sigo dentro a linha reta
Eu tenho a palavra certa 

pra doutor não reclamar
Avôhai, Avôhai, Avôhai

Fagner
Baseado no poema "Marcha" de Cecília Meirelles



Quando penso em você

Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade

Correm os meus dedos longos

Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento

Pode ser até manhã

Cedo, claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem 

me faz sentir alegria

Eu só queria ter do mato

Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
Deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida

É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um toco sozinho ...
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração

A Voz

Vander Lee

Saiam luas, desçam rios
Virem páginas dos pensamentos
Lanço estrelas do meu canto
Sobre as camas dos apartamentos
Virem mares todos os sertões
Que choram pedras aqui
Dentro
Pra esse fogo que queima tão lento
Vento, vento, vento
Aos cantores nos televisores
Flores, flores, flores
Para o povo la em bocaiúva
Chuva, chuva, chuva, chuva,chuva

Bate tambor de criôla

Sangra o dedo no tambor
Que as crianças ainda cantam
Numa orquestra de cavacos
E os velhos ainda choram seus bordões
Que palavras sejam gestos
Gestos sejam pensamentos
Da voz que move nossos corações.

Walter Franco

Se o seu olho é manso.
O seu corpo é luminoso.
Se eu canto e danço.
Sou mais lindo e formoso.

João Bá


Interpretação de Danielle Bomfim - Voz e Violão


Menino vem brincar no mar
Oh! mar vem lavar pé de menino
Menino vem brincar no mar
Oh! mar vem lavar pé de menino
Eu vi as ondas brincando de pega-pega
Levar as águas do riacho cristalino
Eu vi menino vir brincar no mar
Oh! mar vem lavar pé de menino
Menino vem brincar no mar
Oh! mar vem lavar pé de menino
As gaivotas vão fazendo suas rondas
O sol levanta vento leste me incendeia
No chão da praia vou guardar a minha raia
E construir o seu castelo de areia
Menino vem brincar no mar
Oh mar vem lavar pé de menino

Walter Franco

Lá vai uma vela aberta
Se afastando pelo mar
Branca visão que desperta
Anseios de navegar
Meus olhos seguem a vela
Pela vastidão do mar
Ainda se torna mais bela
Na expressão do teu olhar
Expressão vaga e perdida
Que eu nem sei como explicar
Nela vejo refletida
Toda beleza do mar
Quero os horizontes novos
Que ele vai me ofertar
Sou irmão dos outros povos
Que estão para além do mar

Vander Lee

Meus olhos te viram triste
Olhando pro infinito
Tentando ouvir o som do próprio grito
E o louco que ainda me resta
Só quis te levar pra festa
Você me amou de um jeito tão aflito


Que eu queria poder te dizer sem palavras
Eu queria poder te cantar sem canções
Eu queria viver morrendo em sua teia
Seu sangue correndo em minha veia
Seu cheiro morando em meus pulmões
Cada dia que passo sem sua presença
Sou um presidiário cumprindo sentença
Sou um velho diário perdido na areia
Esperando que você me leia
Sou pista vazia esperando aviões
Sou o lamento no canto da sereia
Esperando o naufrágio das embarcações

Walter Franco

Não me pergunte
Não me responda
Não me procure
E não se esconda
Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo
Seja num canto
Seja num centro
Fique por fora
Fique por dentro
Seja o avesso
Seja a metade
Se for começo
Fique à vontade

Vander Lee

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores 
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores 
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores

Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho 
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim

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