Cadernos de Música

A idéia principal do "Cadernos de Música", é a de um blog onde se pode ouvir a música e cantar acompanhando a letra. Aqui, colocarei tudo o que sempre gostei de ouvir e cantar da MPB e Música Latina

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Alceu Valença/Zé da Flauta

Além de tudo sou moleque mal ouvido
Sou atrevido e já joguei tudo pro ar
Vai longe a noite do meu sonho colorido
Duvidar? Duvido e insisto em duvidar
Creio na perua
E o povo tá comendo vidro
Creio na perua
E o balão vai pipocar
Creio na perua
O povo tá comendo vidro
Creio na perua
Tá pior vai piorar
É como a história da cantiga da perua
Seu Elias fez a sua profecia popular
E Ari Lobo resolveu morar na lua
Partindo no Sputinik do campo do Jequiá

Alceu Valença

Lá vem chegando o verão
No trem da estação da luz
É um pintor passageiro colorindo o mundo inteiro
Derramando seus azuis lá vem chegando o verão
Lá vem chegando o verão
No trem da estação da luz
Com seu fogo de janeiro colorindo o mundo inteiro
Derramando seus azuis pintor chamado verão
Tão nobre é sua aquarela papoulas vermelhas
A rosa amarela o verde dos mares
As cores da terra me faz bem moreno
Para os olhos dela

Rubi


Alceu Valença/Rubem Valença

Um coração de rubi
Pulsava bem junto ao meu
Brilhavas dentro da noite sem fim
Luz dos olhos meus
Alguém que foge de mim
Por certo já se perdeu
Por trás do espelho de pedras que são
Luz dos olhos meus
Luzes da cidade com seus faróis
São luzes que não ardem como nós
Luzes de outros mares
Outros faróis
Somos dois bandidos
Perdidos na noite

Rodolfo Aureliano/Tito Livio


O meu cavalo dos arreios prateados
E a namorada, muito amada, agarrada na garupa
Me protegendo dos malefícios da vida
E agarrada, muito amada, na garupa do cavalo


Iê, iê... arreio de prata, uou, uou eu todo prateado
Muita boiada, muita cerca colocada
E as meninas proibidas de fazer amor mais cedo
E o meu cavalo e a sua égua malhada
Fazendo amor no terreiro da morada das meninas


E relinchavam, pois gozavam liberdade
E as meninas não podiam nem gozar da vaidade
E as meninas até sonhavam com a cidade
E com os rapazes que por ventura encontrassem
E olhavam tanto para o meu cavalo |
se imaginavam éguas e eu todo prateado
e olhavam tanto tanto para meu cavalo 

se imaginavam éguas e eu todo prateado.

Alceu Valença

Quando eu olho para o mar
Dentro do mar vejo um rio
Quando eu olho para o rio
Dentro do rio vejo a chuva
Quando eu olho para a chuva
É como se olhasse as nuvens
Quando eu olho para as nuvens
É como se olhasse o mar
Quando eu olho para mim
Dentro de mim tem você
Quando eu olho para você
Por dentro sinto saudades
Quando eu olho para a saudade
Mesu olhos vão desaguando
E é como um rio passando
Que não corresse pro mar

Alceu Valença

 

Na primeira manhã que te perdi
Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
Como uma bumba-meu-boi sem capitão
E gemi como geme o arvoredo
Como a brisa descendo das colinas
Como quem perde o prumo e desatina
Como um boi no meio da multidão

Na segunda manhã que te perdi
Era tarde demais pra ser sozinho
Cruzei ruas, estradas e caminhos
Como um carro correndo em contramão
Pelo canto da boca num sussurro
Fiz um canto demente, absurdo
O lamento noturno dos viúvos
Como um gato gemendo no porão
Solidão.

 Alceu Valença
 

O meu verso dá pulo e cambalhotas
Quando te vê
Porque você é meu único e definitivo
Poema
Daí meus dedos
Batucarem ritmos
Escrevendo teu nome,
Tatuando teu
Peito
Pra marcar em ti
Minha presença
E depois de acrobata
O meu verso vira mágico
E eu vou tirar
Da cartola sete notas
Musicais
E tem mais
Passarinho do dia
Como canário
Passarinho da noite
Como bacurau
E caminharemos pela rua do Amparo
Sob a Lua de São Jorge
Nos protegendo do mal

O meu verso...
...protegendo do mal

E depois de acrobata...

 

Alceu Valença/Dominguinhos

 

De puro éter assoprava o vento
Formando ondas pelo milharal
Teu pelo claro boneca dourada
Meu pelo escuro cavalo-de-pau

Cavalo doido por onde trafegas
Depois que eu vim parar na capital
Me derrubaste como quem me nega
Cavalo doido, cavalo de pau

Cavalo doido em sonho me levas
Teu nome é tempo vento vendaval
Me derrubaste como quem me nega
Cavalo doido, cavalo de pau

Alceu Valença

 

Amor covarde, que morde que arde
Capela magra é metade de mim
A madrugada se arrasta, tão lenta assim
Dor...dor...dor...
Moça bonita, novilha tão rara
Não há quem valha metade de mim
A dor do amor, navalhada que arde assim
Dor...dor...dor...
Estrela d´alva, pedaço de lua
A pele nua, cheirando a jasmim
Boca cereja, bandeja de prata, Do-In
Dor...dor...dor...
Moça bonita, novilha tão rara
Não há quem valha metade de mim
Nascemos sós, sós seremos serenos no fim

 Alceu Valença


Andei pisando pelas ruas do passado
Criando calo no meu pé caminhador
Dançando um xote,
Tropecei com harmonia
Na melodia de "Pisa na Fulô"
Andei passando como as águas como o vento
Como todo sofrimento que enfim me calejou
terei futuro deslizando no presente
Como o cabelo no pente que penteia meu amor

Alceu Valença


Deusa da noite
Sangrenta e fria
Irmã da lua
Mulher da noite e do dia
Eu vim de longe
Atrás da brisa
Com sete pedras
Bordei a minha camisa
Pra ver a doida das lantejoulas
Dos lábios verdes de purpurina
Dançar na noite nos Quatro Cantos
Com seu vestido de bailarina
Fazer o riso, tremer o medo
Fazer o medo, virar sorriso
Fazer da noite dos Quatro Cantos
Um dia branco feito domingo

Alceu Valença 




As borboletas voam sobre o meu jardim 
São cores vivas, pousam sobre as "onze horas" 
Nas rosas claras, violetas e jasmins 
Um beija-flor traindo a rosa amarela 
Beijou a bela margarida infiel 
Papoula e dália estão cravadas de ciúmes 
E o beija-flor beijando flores a granel 
Pétalas, asas amareladas 
Pétalas, espinho seco 
Folha, flor, lagarta 
Pétalas 
As flores voam e voltam na outra estação 
Só serei flor quando tu flores no verão 

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